quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Aécio, presidente do PSDB.


Aécio, presidente do PSDB.















O senador Aécio Neves (PSDB) será o futuro presidente nacional do PSDB. Embora com o apoio da maior parte da bancada federal e de caciques da legenda como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso; o ex-senador Tasso Jereissati (CE); o presidente nacional do partido, deputado Sérgio Guerra (PE); e dos governadores tucanos, o mineiro quer ser resultado de um consenso construído a partir do diálogo com nomes de todas as regiões do país.

Ele já tem agendada, ainda este mês, uma conversa com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB). Depois do paulista, Aécio continuará alinhavando ao Sul, no Norte e no Nordeste. É objetivo repetir o modelo que o elegeu em 2002 ao governo de Minas, quando reuniu extenso leque de apoios, a começar pelo então governador Itamar Franco, que deixara o PMDB em decorrência de atritos com o vice-governador Newton Cardoso (PMDB).

Além de ser um nome que pode unificar o partido, Aécio é a cara do “novo” e, como pré-candidato à sucessão de Dilma Rousseff (PT), poderá, à frente do PSDB, ganhar visibilidade e fazer o debate dos grandes temas nacionais. Além da mídia espontânea que vem a reboque das questões do debate, Aécio terá espaço nos programas do partido, que serão exibidos em 30 de maio e em 19 de setembro, além dos oito dias de inserções de 5 minutos diários. “Ele ficará senhor do tempo e do conteúdo, podendo administrar o tom para a construção do projeto alternativo”, considera o presidente estadual do PSDB, Marcus Pestana, lembrando que, embora a tradição não seja aplicável ao Brasil, no parlamentarismo europeu são os porta-vozes dos partidos os futuros candidatos a primeiros-ministros.

O nome de Aécio vem ganhando corpo dentro do PSDB já há algum tempo, mas foi a partir do segundo semestre do ano passado, no momento em que havia forte cobrança de falta de projeto de poder das oposições, que se explicitou o consenso entre os líderes tucanos, à exceção do grupo do ex-governador José Serra. No fim do ano passado, em jantar com integrantes da bancada de deputados, Aécio ouviu o pedido para que assumisse o comando da legenda.

Negociações
Entre o Natal e o ano-novo, mais um gesto de que o senador mineiro vai mesmo assumir a direção nacional do partido, passo para a construção de sua pré-candidatura ao Planalto. Dando sequência a uma série de encontros com economistas ligados ao PSDB — com os quais tem definido o tom do debate —, Aécio se reuniu, em seu apartamento no Rio de Janeiro, com Fernando Henrique Cardoso; o ex-ministro da Fazenda, Pedro Malan; o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga; e Edmar Bacha, um dos formuladores do Plano Real.

“Aécio sempre deu valor ao tempo na política. Sabe o tempo de se lançar”, disse ontem Danilo de Castro, secretário de Governo de Minas. Opinião semelhante manifesta Pestana, para quem — estando a Convenção Nacional do PSDB marcada para maio — não há necessidade de se precipitar. “Aécio vai, na última semana deste mês, retomar a conversa com Geraldo Alckmin para a construção do projeto de êxito”, ressalta Pestana. O senador estará em viagem de férias fora do país pelos próximos dias, com a filha Gabriela.

Não à toa, a conversa inaugural de Aécio Neves sobre a Presidência do PSDB será com o governador paulista. É necessário consolidar a aliança entre Minas e São Paulo, considerado o “parceiro” mais importante, para o projeto de “consenso partidário”. Embora já explicitado o apoio a Aécio pelos demais governadores tucanos — Teotônio Vilela (AL), Marconi Perillo (GO), Simão Jatene (PA), Beto Richa (PR) e Anchieta Junior (RR), além de Antonio Anastasia (MG) —, Aécio voltará a visitá-los. Já com a bancada federal, a relação é boa. 

Marcus Pestana lembra que a bancada mineira do PSDB, por orientação de Aécio, inclusive, cedeu a liderança do partido na Câmara ao deputado federal Carlos Sampaio (SP) a partir deste ano. “A bancada de Minas acabou de fazer gesto em direção a São Paulo. A vaga de líder era de Minas, por acordo interno. Mas abrimos mão para eleger o Carlos Sampaio”, explica. “Não estamos nem na Guerra dos Emboabas nem na Revolução de 32. A questão não é regional de Minas versus São Paulo. O que nos move é um projeto alternativo com viabilidade para esgotar o modelo do lulopetismo”, acrescenta Pestana. (Correio Braziliense)

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