segunda-feira, 16 de maio de 2011

Inter vence Gre-Nal eletrizante no Olímpico e é campeão gaúcho 2011

Após perder em casa, time de Falcão virou no tempo normal para 3 a 2 e nos pênaltis para 5 a 4

Em Gre-Nal eletrizante, Inter conquista o Campeonato Gaúcho de 2011
Crédito: Cristiano Estrela
Um Gre-Nal eletrizante e dramático decidiu o Campeonato Gaúcho de 2011. Após ter perdido no Beira-Rio no fim de semana passado, o Inter ainda saiu perdendo no Olímpico, mas virou o placar, venceu por 3 a 2 e levou a taça com vitória nos pênaltis por 5 a 4 na tarde deste domingo. É o 40º título estadual da história do Inter.

Renan, que havia falhado no tempo normal, brilhou e contou com a sorte. Adilson fez quinta cobrança na série alternada e colocou a bola para fora. Zé Roberto balançou as redes para o time do Inter e garantiu a conquista surpreendente.

Grêmio sai na frente, mas o Colorado reage

A iniciativa do Gre-Nal que decidiu o Campeonato Gaúcho foi dos donos da casa. Mesmo com a vantagem construída no primeiro clássico, o Grêmio saiu com muita disposição para cima do Inter. O time de Falcão, postado no 4-5-1, com Juan na lateral e Kleber como apoiador, tomou um sufoco dos comandados de Renato nos primeiros minutos de partida. A pressão surtiu efeito aos 14 minutos, quando Douglas lançou Lúcio na meia direita. O ala esquerdo avançou e apenas tocou na saída do goleiro Renan.

Com a vantagem no placar, o Grêmio dominou o jogo e buscou o segundo gol. Três minutos depois, Douglas tabelou com Junior Viçosa e deixou o atacante na frente de Renan. Ao contrário do clássico anterior, o jogador não foi feliz e errou na conclusão. Méritos para o goleiro colorado, que impediu o adversário de ampliar o placar.

Até então atônito, o Inter não conseguia conter Fábio Rochemback e as ações de Lúcio pela esquerda. Apesar das boas atuações de ambos, o maestro do Tricolor era Douglas. Aos 23 minutos, ele recebeu na entrada da área e bateu colocado. A bola passou muito perto da trave direita do goleiro Renan.

Aos poucos o Inter começou a reagir no primeiro tempo. Falcão optou por desfazer o esquema que começou a partida e colocou Zé Roberto no lugar de Juan. Deu certo. O Inter, mais encorpado no ataque, passou a agredir o Grêmio e evitar que Junior Viçosa e Leandro dessem trabalho à zaga vermelha. Aos 29, Nei lançou Leandro Damião. O centrovante cabeceou como manda o figurino - contra o chão -, e a bola iria entrar no canto esquerdo gol gremista se não fosse por uma ótima defesa do goleiro Victor.

Um minuto depois, o Colorado fez a sua segunda chegada ao ataque. Zé Roberto, deslocado na esquerda, cruzou para Damião. O centroavante dominou a bola e bateu de esquerda para igualar o Gre-Nal 387. O empate fez com que Inter ganhasse confiança e se aproveitasse de um Grêmio agora assustado. Aos 32, Andrezinho cobrou uma falta para o cabeceio de Índio. A bola passou muito perto da trave direita do goleiro Victor.

No último lance do primeiro tempo, veio a surpresa colorada e um balde água fria na torcida gremista. D'Alessandro cobrou escanteio e a defesa gremista afastou parcialmente. No rebote, Andrezinho, mesmo mancando, chutou no canto do goleiro Victor para virar a partida no Olímpico e esquentar ainda mais o clássico Gre-Nal.

Segundo tempo impróprio para cardíacos

O segundo tempo começou com o Inter mais bem postado dentro de campo. Com Zé Roberto no ataque, o time de Falcão passou a agredir o Grêmio com mais força. Precisando de apenas um gol para conquistar o título, os visitantes se lançaram ao ataque. Aos 11 minutos, D'Alessandro encontrou Zé Roberto na direita. O atacante cruzou para Damião, que perdeu a chance de balançar as redes pela segunda vez no clássico.

A resposta do Grêmio veio um minuto depois. Mário Fernandes escapou pela direita e tabelou com Douglas. O lateral chegou na linha de fundo e cruzou para Junior Viçosa. O atacante se antecipou ao zagueiro Bolívar e quase empatou o Gre-Nal.

O Inter estava melhor no segundo tempo e num lance isolado conseguiu o improvável. Zé Roberto recebeu dentro da área e ficou cara a cara com Victor, que o derrubou. Leandro Vuaden marcou pênalti. D'Alessandro bateu e fez o terceiro do Inter na partida.

Então o Grêmio decidiu reagir. Renato fez três substituições em sequência. Aos 35 minutos, após a cobrança de um escanteio, Douglas lançou para o meio da área colorada. Renan agarrou a bola no primeiro momento, mas ao bater no zagueiro Índio, deu a oportunidade para Borges descontar e colocar o Grêmio na luta pelo título novamente.

A partir daí a partida ficou mais nervosa. Qualquer movimento das equipes era feito com muita cautela. O gol para qualquer lado significava o título porque o placar de 3 a 2 levava a decisão para os pênaltis. Aos 45 minutos, Douglas fez uma ótima jogada pela direita e cruzou para Lins. O atacante que perdeu de fazer o terceiro para o Tricolor. Aos 47, o Inter teve a última chance do jogo. D'Alessandro chutou de fora da aárea e Victor fez uma defesa em dois tempos.  

Emoção até a última gota


A cobrança de penalidades reservou aos torcedores que foram ao estádio Olímpico tensão até a último momento. Douglas, de grande atuação no tempo normal, abriu a série de cobranças. O meia gremista converteu e colocou o Grêmio na frente. Em seguida, foi a vez de D'Alessandro. Com categoria, o argentino colocou a bola no ângulo, longe do goleiro Victor. Na segunda cobrança gremista, Willian Magrão erra e Renan, com a defesa, começava a se redimir da falha no segundo tempo. Damião, que poderia ajudar o colega, no entanto, errou o chute. Victor fez uma grande defesa.

Fábio Rochemback fez o seu, mas Kleber bateu muito mal e Victor brilhou novamente. Lúcio, que poderia consolidar a vantagem gremista, errou a cobrança e Renan salvou o Inter. Oscar acertou a cobrança e colocou o Colorado na briga pelo título. Lins, que entrou no segundo tempo, balançou as redes e fez 3 a 2 na série. Bolatti empatou e as equipes se preparam para as cobranças alternadas.

Rodolfo foi o primeiro e converteu a sua cobrança. Nei empatou a série para o Inter em 4 a 4. O erro de Adilson deixou o título mais perto do Beira-Rio. Zé Roberto fez a cobrança e garantiu a festa colorada em pleno estádio Olímpico.



quinta-feira, 12 de maio de 2011

O Código Florestal e as lições da história

1112 O Código Florestal e as lições da história

Quando o viajante sobrevoa o Centro Oeste brasileiro e olha para baixo, vê um mosaico de poligonais demarcando plantações de soja ou de outras monoculturas.  Com certo esforço, consegue visualizar minguados filetes de mata ciliar que emolduram margens de rios e córregos, a maioria deles assoreados e poluídos.  Acostumado a percorrer a mesma rota, é provável que a extinção da vegetação nativa não lhe cause grande — talvez, nenhum — impacto.  Por uma razão muito simples: poucos estariam aptos a comparar o cenário visto hoje, por meio de uma janelinha de avião, com aquele de décadas atrás.  O hipotético passageiro deste artigo sofre de um mal comum a todos nós, que o cientista Jared Diamond, Prêmio Pulitzer 1998, conceitua de "amnésia de paisagem" em seu instigante livro Colapso: Como as Sociedades Escolhem o Fracasso ou o Sucesso (Record, 2006).

A "amnésia de paisagem", segundo o escritor norte-americano, é um dos fenômenos, entre 12 classificados por ele, que ajudam a explicar porque alguns povos não conseguiram evitar o colapso de suas civilizações, provocado por desequilíbrios ambientais, apesar dos sinais cada vez mais evidentes nesse sentido.  A expressão criada pelo biofísico e biogeógrafo significa "esquecer-se de quão diferente era a paisagem há 50 anos devido às mudanças graduais ano a ano".  Àqueles que defendem a redução das áreas de preservação permanente que protegem a bacia fluvial do país, previstas no Código Florestal, um alerta: o fator desencadeante dos colapsos estudados pelo autor foi a extinção da vegetação nativa.

O conceito da "amnésia de paisagem" permite entender porque ministros são levados a anunciar, em tom comemorativo, a redução do ritmo de desmatamento na Amazônia em relação a algum período imediatamente anterior, mesmo que isto tenha significado a destruição de milhares de quilômetros quadrados de florestas.

O alerta feito pelo pesquisador é globalizado e não poupa o próprio país.  Um dos relatos mais dramáticos de sua obra, porém, refere-se ao colapso ocorrido na Ilha de Páscoa.  Os desequilíbrios causados pela derrubada da mata nativa tornaram-na estéril.  Em meio a sangrenta disputa interna, a escassez de alimentos levou os nativos a comerem ratos e até restos de cadáveres humanos.  As árvores foram sendo ceifadas uma a uma ao longo de anos.  Os ancestrais dos atuais pascoenses não deram a mínima importância ao corte da última palmeira do território, porque a imagem das florestas já havia sido apagada, lenta e gradualmente, através dos séculos, da memória das testemunhas da derradeira machadada.  Ironicamente, as "místicas" e gigantescas estátuas que tanta admiração causam aos turistas do mundo inteiro, os moais, erguidos pelos chefes de clãs, são tão somente vestígios trágicos de uma era de decadência e atrocidades.

Jared Diamond, contudo, não é derrotista, como indica o subtítulo de seu livro.  Impedir a extinção de florestas não é um sonho impossível.  Depende de vontade política, exemplo dado pelos japoneses, assustados com os índices do desmatamento que atingiu um quarto do território já na primeira metade do Século 16.  Sob as ordens dos xoguns, os japoneses reorientaram até seu padrão de consumo, com maior inclusão de frutos do mar, por exemplo, com a finalidade de diminuir a pressão da agricultura sobre a vegetação nativa.  Administradores fizeram minuciosos inventários das florestas, a fim de garantir pleno controle de seu uso.  "A mudança veio de cima, liderada por sucessivos xoguns, que invocaram princípios de Confúcio para promulgar uma ideologia oficial que encorajava limitar o consumo e acumular reservas de modo a proteger o país contra o desastre", assinala o autor.

Séculos se passaram e os japoneses não se esqueceram da lição.  Desde há algumas décadas, tornaram-se grandes financistas de projetos agrícolas nos países do Terceiro Mundo com vasta extensão territorial.  O objetivo foi o de apenas proteger suas preciosas florestas.  Ou seja, o Japão solucionou parcialmente seus problemas de escassez de recursos naturais provocando escassez de recursos naturais em outros pontos do planeta, estratégia adotada por vários países desenvolvidos.  Enquanto isso, o Brasil tem agido como aluno míope, incapaz de aprender o beabá da cartilha ambiental.

* Publicado originalmente no jornal Correio Braziliense e retirado do site Amazônia.org.br.

EcoD lista 4 alternativas sustentáveis para a construção civil
 

Em qualquer construção civil, seja ela uma casa, hospital ou prédio empresarial, faz-se necessária a existência de um piso, de paredes, de uma tubulação e de um telhado. O EcoD mostra que, para construir, todos esses elementos básicos podem ser sustentáveis.

Concreto Verde

Pesquisadores da USP começaram a produzir um concreto sustentável que é mais resistente do que o cimento tradicional. O cimento, que é a base do concreto, foi diminuído da fórmula para que um aditivo superplastificante pudesse ser colocado. Composto por policarboxílicos, o aditivo cobre "os vazios dentro do concreto", explicou Tobias Pereira, autor do estudo.

"O aditivo cria repulsão entre as partículas de cimento e é como se você tivesse mais cimento reagindo, o que torna o concreto mais fluido. Como ele é fluido, apenas seu peso já é suficiente para moldá-lo", explicou Pereira, esclarecendo que é no processo de fabricação do produto que esses flocos vazios aparecem.

O pesquisador, que lembrou que a criação do concreto já havia sido apontada em 2008, afirmou ainda que por usar menos cimento, o concreto contribui para o meio ambiente, diminuindo a emissão de CO2 para a atmosfera. Na indústria do concreto, 90% do gás carbônico emitido vêm da fabricação do cimento.

concreto verde
Concreto desenvolvido elimina espaços vazios e torna-se mais resistente/Foto: Divulgação

O concreto verde, além de emitir menos dióxido de carbono, é mais resistente porque, ao ocupar os espaços vazios, ele se torna mais consistente e pesado, demorando mais inclusive para ser substituído. Por isso que o concreto ecologicamente correto tem uma utilidade importante também para o mercado.

"O novo concreto é de alta resistência e ainda usa menos cimento que o tradicional. Ele é bem competitivo porque em obras de maior dimensão, como edifícios altos, pontes e viadutos, podem ser usadas peças menores e se economiza nas dimensões de pilares e outras estruturas de sustentação", afirmou o engenheiro.

Para saber mais sobre outras alternativas de construção verde, leia o guia EcoD de construção verde.

Piso reciclado

Além das paredes e do concreto, para se criar uma casa, é preciso primeiramente um piso. E como solução de piso sustentável, a Locaville, empresa que vende equipamentos para pisos industriais, desenvolveu uma fibra reciclada a partir do aço. Essa tecnologia, chamada de EcoFibra, é usada na mistura de concreto aplicado aos pisos.

ecofibra
EcoFibra da Locaville utiliza aço reciclado/Foto: Divulgação

Dessa maneira, a indústria do aço que emite 1,46 toneladas de CO2 para cada tonelada de aço produzido, não terá mais de fabricar tanto material. O setor de construção civil no país consome mais de 30% na produção nacional do minério.

A Locaville compra as chapas de aço descartadas pela indústria e a submete a um processo que torna o aço até mais eficiente e com maior aderência ao concreto do que o tradicional.

Tubulação verde

Para se construir uma casa com sistema de água, é preciso que se tenha uma tubulação que canalize a água até o esgoto. Mas como tornar o PVC, principal componente dos tubos e conexões, uma ferramenta sustentável no interior da casa? A Braskem, empresa brasileira de fios e cabos, desenvolveu um plástico verde, extraído de etanol de cana-de-açúcar, para suprir essa demanda ecológica.

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Plástico verde é produzido na planta da Braskem no RS/Foto: Divulgação

O plástico criado é feito 100% de fontes renováveis, diferente do tradicional polietileno, de origem fóssil. O projeto da companhia, lançado em 2007, inaugurou sua primeira planta de Eteno Verde em 2010 no Rio Grande do Sul (Triunfo) e hoje já é considerado líder na produção desses biopolímeros.

Para cada tonelada de polietileno verde produzido, e a estimativa é de que se fabrica 200 mil toneladas deles por ano, são capturados e fixados até 2,5 toneladas de CO2 na atmosfera, segundo informações da empresa que gastou cerca de R$ 500 milhões na implementação da planta. Em 2012, a Braskem deve instalar ainda uma segunda planta do plástico verde, agora no Nordeste Brasileiro, em Alagoas.

 Telhados verdes

 A técnica dos telhados verdes já é praticada em grandes cidades e empresas por todo Brasil. A empresa Ecotelhado, uma das pioneira na instalação dos telhados vivos, tem trabalhado bastante na implantação da tecnologia em casas, empresariais e outros edificios. 

Porém, desde 2010, que os hospitais começaram a investir na tecnologia, visando uma melhor qualidade e temperatura do ar nas redondezas e mesmo dentro das clínicas.

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Telhado verde nos hospitais podem ajudar na recuperação de pacientes/Foto: Paulo Guimarães/Divulgação

Dentre os primeiros a receberem a tecnologia estão o Hospital Parque Belém, em Porto Alegre e o Hospital da Zona Sul, em São Paulo. Segundo informações dos próprios estabelecimentos médicos, uma melhoria na efciência energética do local, na inserção harmônica e no conforto térmico foram sentidos dentro e pelo entorno dos lugares.

Além de estimular a biodiversidade nos locais onde são colocados, " os telhados verdes beneficiam bastante na recuperação de pacientes", afirmou o diretor da Ecotelhado, João Feijó ao portal Fator Brasil.

Brasil não deve alcançar ODM sobre redução da mortalidade materna 
 
 
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Atendimento adequado às mamães ajudam a reduzir os problemas de saúde durante a gravidez/Foto: Passarinho/Pref. Olinda

Antes do fim do prazo para o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio ODM), estabelecidos há 11 anos pela Organização das Nações Unidas (ONU), pesquisadores da área de saúde avaliam que o Brasil não deve conseguir reduzir a taxa de mortalidade materna ao patamar assumido com o organismo internacional.

Atualmente, o país registra 68 mortes para cada 100 mil nascidos vivos. A meta das Nações Unidas é cerca de 35 para cada 100 mil até 2015. Assim, a queda precisa ser de aproximadamente 48% em quatro anos. Em 18 anos, de 1990 a 2007, o país registrou uma redução da taxa em 56%, passando de 140 a cada 100 mil crianças nascidas vivas para 75 por 100 mil, conforme dados do governo federal.

Para os especialistas, a diminuição foi significativa, mas ainda é insuficiente para tirar o Brasil do ranking das nações com alto número de mortes durante a gravidez e o parto – que é cinco a dez vezes maior que o dos países ricos.

A especialista em saúde pública da Universidade Federal da Bahia, Estela Aquino, apontou a grande quantidade de cesarianas e a negligência em alguns cuidados durante o pré-natal, como medir a pressão arterial das gestantes, entre os fatores que retardam a queda do indicador. Apesar de mais de 90% dos partos serem feitos em hospitais, a pesquisadora citou a falta de assistência adequada na hora do parto, obrigando as grávidas a buscar leitos nas maternidades às vésperas do nascimento do filho.

"O fenômeno da peregrinação das mulheres no momento de ter um bebê é grande. Temos uma excessiva medicalização (abuso das cesarianas) e a falta do uso de outras tecnologias, como medir a pressão arterial, uma coisa simples que não tem sido feita e que causa impacto na taxa. A mortalidade materna é uma violação de direitos. São mortes, quase em sua totalidade, evitáveis", observou Estela à Agência Brasil.

A questão da mortalidade materna é um dos temas da série especial feita pela revista médica inglesa The Lancet sobre a saúde do brasileiro, lançada na última segunda-feira, 9 de maio. De acordo com o artigo, do qual Estela Aquino integra o grupo de autores, as principais causas de mortes maternas em 2007 foram doenças hipertensivas (23%), septicemia - infecção geral grave do organismo - (10%), hemorragia (8%) e complicações de aborto (8%).

"Não estamos no ritmo necessário. Teríamos de ter um progresso mais rápido", alertou o epidemiologista Cesar Victora, da Universidade Federal de Pelotas (RS), um dos autores do artigo. Para Estela Aquino, essa é uma das Metas do Milênio que dificilmente será alcançada.

Rede Cegonha

Com o lançamento do programa Rede Cegonha, em março deste ano, o governo federal espera diminuir a taxa nos próximos anos. A ideia é adotar medidas para mudar o modelo de atenção às mães, como a concessão de vale-transporte ou vale-táxi para garantir o deslocamento das grávidas às unidades de saúde para o pré-natal, na hora do parto e para garantir vagas nas maternidades, além de criar casas para atendimento de gestantes de risco. O foco são as regiões da Amazônia Legal e do Nordeste (que têm maiores índices de mortalidade materna) e as regiões metropolitanas, com maior concentração de gestantes.

"O nosso modelo de atenção ao parto não é um modelo que facilita isso [a redução da taxa de mortalidade materna]. As medidas vão impactar", projetou Esther Vilela, coordenadora de Saúde da Mulher do Ministério da Saúde, acrescentando que o Brasil tem possibilidade de cumprir a meta. Segundo ela, não foi estabelecido percentual anual de redução da taxa.

As Nações Unidas estabeleceram oito objetivos a serem atingidos pelo Brasil e mais 190 países: diminuir a pobreza extrema e a fome, melhorar o ensino básico, promover a igualdade entre sexos, reduzir a mortalidade infantil, melhorar a saúde materna, combater a Aids e outras doenças, promover a sustentabilidade ambiental e a parceria mundial para o desenvolvimento.



Líder da Al Qaeda na Península Arábica diz que o pior está por vir

1182 Líder da Al Qaeda na Península Arábica diz que o pior está por vir

Brasília – O líder da rede Al Qaeda na Península Arábica , Nasser Al Wahishi, alertou hoje (11) ao governo dos Estados Unidos, por meio de uma mensagem divulgada em sites islâmicos na internet, que "o pior está para vir". O líder se referiu às ações que serão executadas para vingar a morte do fundador da rede Osama Bin Laden.

"Os norte-americanos mataram o xeique, mas devem saber que o fogo da Jihad [guerra santa] vai arder durante toda a vida", disse Wahishi, na mensagem virtual. "O que está para vir é ainda pior, o que espera os Estados Unidos é mais intenso", acrescentou.

Wahishi é o líder da Al Qaeda, com sede no Iêmen, e também é acusado de vários atentados. Na relação de acusações está a explosão de um avião, no dia 25 de dezembro de 2009, de Amsterdã para Detroit.

A Al Qaeda na Península Arábica foi criada em 2009 pela fusão de vários segmentos da rede no Iêmen e Arábia Saudita.

* Publicado originalmente no site da Agência Brasil.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Em Estância Velha
Suspensa lei que autorizava terraplanagem de loteamentos populares

Estância Velha - O Desembargador Arminio José Abreu Lima da Rosa, do Órgão Especial do TJRS, suspendeu liminarmente na sexta-feira, 6, a aplicação da lei que garantia a execução, pelo município, dos serviços de terraplanagem em aterramentos de imóvel público ou privado destinado à construção em programas de primeira moradia.

A Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) foi proposta à Justiça pelo prefeito que alegou vício de origem, pois a lei trata de matéria de iniciativa privativa do Executivo. A lei foi promulgada pelo presidente da Câmara de Vereadores.

Para o Desembargador, compete privativamente ao chefe do Executivo a iniciativa de lei que disponha sobre a organização e o funcionamento da administração pública, como prevê a Constituição Estadual. Apontou também que a Lei é inconstitucional ao implicar em aumento de despesa. Após período de instrução, a ADI será levada ao plenário do Órgão Especial para julgamento de mérito. ODIARIONET

Osama e Obama

Obama Osama 300x244 Osama e Obama

Estranho que a CIA, ao declarar que assassinou Osama Bin Laden, não tenha exibido o corpo, como fez à sobeja com outro "troféu de caça": Ernesto Che Guevara.

Bin Laden saiu da vida para entrar na história. Até aí, nada de novo. A história, da qual poucos têm memória, está repleta de bandidos e terroristas, cujos nomes e feitos quase ninguém lembra. Os mais conhecidos são o rei Herodes; Torquemada, o grande inquisidor; a rainha Vitória, a maior traficante de drogas de todos os tempos, que promoveu, na China, a Guerra do Ópio; Hitler; o presidente Truman, que atirou bombas atômicas sobre as populações de Hiroshima e Nagasaki; e Stálin.

O perigo é que Osama passe da história ao mito, e de mito a mártir. Sua morte não deveria merecer mais do que uma nota nas páginas interiores dos jornais. No entanto, como os EUA são um país necrófilo, que se nutre de vítimas de suas guerras, Obama transforma Osama num ícone do mal, atiçando o imaginário de todos aqueles que, por alguma razão, odeiam o imperialismo estadunidense.

Saddam Hussein, marionete da Casa Branca manipulada contra a revolução islâmica do Irã, demonstrou que o feitiço se volta contra o feiticeiro.

Desde 1979, Osama Bin Laden tornou-se o braço armado da CIA contra a ocupação soviética no Afeganistão. A CIA ensinou-o a fabricar explosivos e realizar ataques terroristas, movimentar sua fortuna através de empresas-fantasmas e paraísos fiscais, operar códigos secretos e infiltrar agentes e comandos.

"Bin Laden é produto dos serviços americanos", afirmou o escritor suíço Richard Labévière. Derrubado o Muro de Berlim, desde 1990 Bin Laden passou a apontar seu arsenal terrorista para o coração de Tio Sam.

O terrorismo é execrável, ainda que praticado pela esquerda, pois todo terrorismo só beneficia um lado: a extrema-direita. Na vida se colhe o que se planta. Isso vale para as dimensões pessoal e social. Se os EUA são hoje atacados de forma tão violenta é porque, de alguma forma, eles se valeram do seu poder para humilhar povos e etnias.

Há décadas abusam de seu poder, como é o caso da ocupação de Porto Rico; a base naval de Guantánamo encravada em Cuba; as guerras ao Iraque e Afeganistão, e agora à Líbia; a participação nas guerras da Europa Central; a omissão diante dos conflitos e das ditaduras árabes e africanas.

Já era tempo de os EUA, como mediadores, terem induzido árabes e israelenses a chegarem a um acordo de paz. Tudo isso foi sendo protelado, em nome da hegemonia de Tio Sam no planeta. De repente, o ódio irrompeu da forma brutal, mostrando que o inimigo age, também, fora de toda ética, com a única diferença de que ele não dispõe de fóruns internacionais para legitimar sua ação criminosa, como é o caso da conivência da ONU com os genocídios praticados pela Casa Branca.

Quem conhece a história da América Latina sabe muito bem como os EUA, nos últimos 100 anos, interferiram diretamente na soberania de nossos países, disseminando o terror. Maurice Bishop foi assassinado pelos boinas verdes em Granada; os sandinistas foram derrubados pelo terrorismo desencadeado por Reagan; os cubanos continuam bloqueados desde 1961, sem direito a relações normais com os demais países do mundo, e uma parte de seu território, Guantánamo, continua invadida pelo Pentágono.

Nas décadas de 1960 e 70, ditaduras foram instauradas no Brasil, na Argentina, no Chile, no Uruguai, na Bolívia, na Guatemala e em El Salvador, com o patrocínio da CIA e sob a orientação de Henry Kissinger.

Violência atrai violência, dizia dom Helder Câmara. O terrorismo não leva a nada, exceto a endurecer a direita e suprimir a democracia, levando os poderosos à convicção de que o povo é incapaz de governar-se por si mesmo.

Vítimas inocentes não podem ser sacrificadas para satisfazer a ganância de governos imperiais que se julgam donos do mundo e pretendem repartir o planeta como se fossem fatias de um apetitoso bolo. Os atentados de 11 de setembro de 2001 demonstraram que não há ciência ou tecnologia capaz de proteger pessoas ou nações. Inútil os EUA gastarem trilhões de dólares em esquemas sofisticados de defesa. Melhor seria que essa fortuna fosse aplicada na paz mundial, que só irromperá no dia em que ela for filha da justiça.

A queda do Muro de Berlim pôs fim ao conflito Leste-Oeste. Resta agora derrubar a muralha da desigualdade entre Norte-Sul. Sem que o pão seja nosso, nem o Pai e nem paz serão nossos.

*Frei Betto é escritor, autor, em parceria com Marcelo Gleiser e Waldemar Falcão, de "Conversa entre a fé e a ciência" (Agir), entre outros livros.

Energia nuclear é coisa do mal ou do bem?

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O mito de que usinas nucleares não são perigosas caiu de vez. O mundo discute o que fazer com mais de 400 usinasem funcionamento, quais alternativas já existem para substituí-las, e se vale a pena gastar bilhões para construir outras. Afinal, verdade seja dita, a energia nuclear tem a proposta da luz, mas assombra com o risco da morte.

Em sua visita ao Brasil, o presidente Barack Obama, anunciou seus objetivos: investir em fontes alternativas para libertar a indústria norte-americana da dependência do petróleo e de outras matérias-primas não renováveis.

A sinalização do presidente dos Estados Unidos, somada ao acidente nuclear de Fukushima, no Japão, esquentou o debate mundial sobre a utilização segura da energia nuclear. Haveria opções mais "limpas" para resolver o grave problema energético pelo qual passa o mundo?

A China, que tem um vasto programa nuclear, já pisou no freio, revendo a velocidade de instalação. A Alemanha suspendeu a prorrogação da vida útil de alguns reatores e irá estimular a produção de energia renovável. A Suíça cancelou licenças. A Áustria já pediu novas provas de resistência às empresas que industrializam a energia nuclear. E a Itália, para refletir melhor, suspendeu por um ano a construção de novas usinas. No Japão, evidentemente, a pressão popular será ainda maior.

No Brasil, antes do acidente de Fukushima, a presidente Dilma Rousseff pretendia anunciar quatro novas usinas nucleares (duas no nordeste e as outras no sudeste), com construção prevista para até 2030. O anúncio só não veio a público por conta da crise japonesa.

Em homenagem aos 25 anos do acidente de Chernobyl, Rio de Janeiro e São Paulo fizeram dois importantes debates sobre como acabar com a energia nuclear no Brasil. Se é pelo plebiscito ou Lei definitiva. O primeiro encontro teve a participação da ex-candidata à presidência, Marina Silva. E o segundo foi articulado por professores da USP. A tendência é que a sociedade, Ongs e partidos políticos afins, unam forças para pressionar o governo a redirecionar o programa nuclear brasileiro.

É bom lembrar que já temos duas usinas instaladas no país (Angra I e II), ambas no estado do Rio de Janeiro, e que uma terceira está sendo construída lá.

Mas, afinal de contas, será que o país vai continuar com seu programa nuclear? Irá a presidente Dilma na contra-mão do mundo? Só o tempo dirá. É bem possível que o Planalto esteja apenas esperando a poeira baixar para dar a notícia da expansão do programa nuclear brasileiro.

É difícil saber. Mas há quem arrisque dizer que o programa continua.  O físico nuclear José Goldemberg acha que o desastre de Fukushima será um divisor de águas. Depois disso, ninguém poderá dizer que reatores nucleares não são perigosos sem ouvir uma chuva de protestos. "As pessoas já tinham se esquecido do terror do acidente de Chernobyl", lembra o professor da USP. Aliás, o setor estava em plena expansão.

O episódio do Japão deu um breque nisso. Fez o mundo cair na real de que reatores nucleares são vulneráveis, e que é impossível prever todos os tipos de acidentes que podem acontecer. Um avião pode cair, um reator pode derreter, ninguém tem bola de cristal.

Toda essa incerteza vai influenciar a adoção de novas medidas de segurança. O que significa maiores gastos. Assim, a energia nuclear pode perder para o quesito competitividade, já na largada desse novo cenário.

Por outro lado, o preço da energia nuclear pode ficar mais atrativo, caso o carvão ou gás forem sobretaxados, como pensam alguns países, como medida punitiva à emissão de dióxido de carbono. É preciso entender que o dióxido de carbono é um dos responsáveis pelo aquecimento da Terra, enquanto os reatores nucleares, em funcionamento normal, não emitem esse gás.

No entanto, Goldenberg, que foi eleito pela revista Times como um dos "Heróis do Meio Ambiente", em 2007, aponta outro problema dos reatores nucleares.

É preciso garantir a segurança no suprimento de materiais energéticos, como o urânio, para usinas nucleares.

Certos países, como Japão e França, que não dependem tanto de importações de carvão ou de gás natural, ficam dependentes da importação do urânio enriquecido. Se acontecer algum imprevisto, toda a produção fica comprometida.

O problema maior, sem dúvida, é o risco de acidente. Isso pode causar impactos no ambiente e ameaçar a vida humana por causa da radioatividade, que socializa o ônus do acidente para todos os países, uma vez que não é possível conter sua repercussão pelo ar ou água.

O professor chega a dizer que o risco de acidente é o "calcanhar de Aquiles" da energia nuclear. Claro que em outros processos produtivos de energia também há riscos. Seja na mineração do carvão ou nas usinas hidrelétricas, acidentes causam mortes e outros problemas, como a mudança de populações de lugar.

No entanto, a radioatividade que é liberada em acidentes nucleares causa não só mortes imediatas. O câncer, que pode se manifestar anos depois, é um triste desdobramento da radioatividade. Em Chernobyl, depois de 25 anos, peixes ainda são encontrados com contaminação.

Agora, mais do que nunca, escolher a fonte de energia mais adequada depende, portanto, de uma comparação entre os benefícios, os custos e riscos que ela provoca e envolve.

No Brasil, segundo o professor, a energia nuclear pode ser tranquilamente dispensada, figurando como última opção a ser adotada. "Há abundância de recursos naturais no país", enfatiza.  A energia nuclear pode ser uma boa opção para países como França, por exemplo, que não dispõe de tantos recursos.

Fazendo um comparativo, o professor revela um dado interessante.  Quando Angra 3 ficar pronta, a produção de energia não baterá a conseguida pelo bagaço de cana gerado em São Paulo. A produção bate a casa dos 2 milhões de kilowatts. Precisaria de dois reatores nucleares para gerar a mesma quantidade.

Pondo tudo na ponta do lápis, o professor José Golbenberg não tem dúvidas. O país deve apostar todas suas fichas na biomassa e nas hidrelétricas.

Porém, a maioria dos especialistas concordam que o Brasil não pode ficar à mercê de outros países. É preciso nacionalizar alguns equipamentos usados no processo de energia renovável.

É o caso dos painéis fotovoltaicos. Mandamos o silício bruto para fora para depois os comprarmos a altos custos, onerando sua produção. Uma redução dos impostos sobre esses equipamentos também seria um paliativo a se discutir.

As energias renováveis são aclamadas pela sociedade e por ambientalistas pela capacidade que têm de se regenerar. O sol, recursos hídricos e os ventos, por exemplo, são inesgotáveis e estarão sempre disponíveis. Mesmo que algumas delas ainda tenham caras infra-estruturas, ainda podem se adequar, e são uma grande aposta para o futuro.

E para você, qual é melhor? A energia nuclear ou renovável? Muito além da balança do bem e do mal, seus aspectos positivos e negativos estarão na pauta de importantes discussões da matriz energética mundial.

* Mônica Martins é articulista das editorias de tecnologia e meio ambiente do IOB-Negócios. Escreveu matérias de capa sobre qualidade e meio ambiente para publicações como a Banas Qualidade e Qualimetria (revista da FAAP). Foi assessora de imprensa no Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) por 17 anos, tendo elaborado a sua política de comunicação e sistema integrado de atendimento a clientes. Integrou o Núcleo Executivo de Qualidade e de Treinamento na Fundação Vanzolini, da Escola Politécnica da USP. Fundou a Alfa Centauro Comunicações, agência responsável p ela comunicação corporativa digital da Lucent Tecnologies/Avaya Communication, subsidiárias do Bell Labs. Entre outras atividades, elaborou conteúdo para sites de clientes da Tradecom Comunicação, Uniconsult e Assembléia Legislativa de São Paulo.

Lixo 6X0 Brasil – Goleada para a sociedade do desperdício

1119 Lixo 6X0 Brasil   Goleada para a sociedade do desperdício

Em 2010, o Brasil produziu 60,8 milhões de toneladas dos chamados resíduos sólidos urbanos. Essa quantidade foi 6,8% mais alta que a registrada em 2009 e seis vezes maior que o crescimento populacional que, no mesmo período, ficou em pouco mais de 1%. De todo esse resíduo, cerca de 6,5 milhões de toneladas foram parar em rios, córregos e terrenos baldios. Ainda 42,4%, ou seja, 22,9 milhões de toneladas foram depositados em lixões e aterros controlados e que não fazem o tratamento adequado dos resíduos. Estas conclusões fazem parte do estudo Panorama dos Resíduos Sólidos divulgado na semana passada pela Abrelpe (Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais).

Detalhes do mesmo relatório demonstram que estamos muito, mas muito distantes de tornar o consumo consciente uma prática cotidiana na vida das pessoas em nosso país. Um bom exemplo é que no ano passado, a média de lixo gerado por brasileiro ficou em 378 quilos, o que é 5,3% superior aos 359 quilos de lixo per capita computados em 2009.

O que esperar do futuro

Em uma sociedade de consumo que vem se caracterizando pelo culto ao descartável, a quantidade de lixo é proporcional a falta de consciência e ações que passam por todos os setores, sejam eles públicos ou privados, até chegar ao próprio cidadão.

Se por um lado podemos registrar com orgulho que no Brasil temos o mais alto nível de reciclagem de latinhas de alumínio do mundo, por outro, também é fácil afirmar que existem materiais tão diversos como papel, papelão, vidro, isopor, garrafas PET, sacolas plásticas e tantos outros que são perfeitamente recicláveis e que simplesmente não o são, por falta de apoio a coleta e comercialização. Pelo menos 30% dos lixos domiciliares são compostos de materiais recicláveis, mas apenas 1% acaba sendo, efetivamente, recuperado pela coleta seletiva.

É muito triste imaginar que toneladas de material reciclável entopem os lixões e aterros quando poderiam voltar a ser utilizados por empresas em produção de novos produtos. Um caso exemplar é o do vidro. Um quilo de vidro é totalmente aproveitado na reciclagem num círculo virtuoso que contribui para que não sejam necessárias as extrações de matérias-primas existentes na natureza. Isso vale para todos os outros materiais que são descartados. Papéis reutilizados e reciclados evitam o corte de árvores; sacolas plásticas reutilizadas e recicladas deixam de entupir bueiros, poluir rios e mares etc.

As razões para esse estado de coisas são inúmeras: ausência de políticas públicas efetivas de incentivo a coleta e reciclagem e de educação ambiental para a população; uma parte da iniciativa privada que não se empenha em tratar resíduos e criar ações para reaproveitamento de materiais na sua linha de produção e o cidadão que desperdiça, não reutiliza, não recicla e ainda joga lixo nas praças, ruas, rios e lagos.

Política Nacional de Resíduos Sólidos para mudar a realidade

Boa parte das esperanças para reverter esse quadro reside na Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), regulamentada em dezembro de 2010 e que estabelece o princípio da responsabilidade compartilhada em relação à destinação dos resíduos. Todos os integrantes da cadeia produtiva sejam eles fabricantes, distribuidores, importadores, comerciantes e até mesmo os consumidores serão responsáveis por todo o processo de ciclo de vida do produto até a disposição final, também conhecido como logística reversa. Nessa conta de responsabilidades também estarão inseridos os serviços de limpeza públicos e de manejo dos resíduos sólidos. A lei prevê ainda o fim dos lixões em todos os municípios brasileiros até 2014.

Diante do aumento da geração de lixo, os desafios propostos pela nova política são enormes e vão requerer esforços dobrados nos próximos anos. Portanto, é preciso também trazer outras questões para a discussão que contribuam para avançar nesse processo.

Cobrar o que é de graça, aumentar o preço do que for muito barato

Um caminho é dar o devido valor ao que hoje é tratado como lixo. Se o poder público garantisse preços convidativos para os materiais hoje menos atrativos, tenho certeza que teríamos mais plásticos, papéis, vidros, isopores, entre outros, sendo recolhidos com eficiência e, consequentemente, voltariam para a cadeia produtiva ao invés de descartados.

Vivemos situações críticas em várias áreas vitais para a sobrevivência humana, a questão da geração do lixo, da contaminação das águas, o desmatamento e o aquecimento global estão entre as principais. Infelizmente, medidas isoladas sejam do poder público, sejam da iniciativa privada e até de cidadãos mais conscientes são louváveis, mas de resultado limitado.

Cobrar por todos esses materiais e embalagens dando valor ao que as pessoas hoje descartam seria uma maneira rápida de mudar a realidade tenebrosa do desperdício, do descarte inconseqüente e da falta de educação.

O melhor, é claro, seria conquistar consciências, mas é óbvio também que os resultados tem sido modestos até mesmo nos países ditos desenvolvidos e educados.

Boa notícia chega do varejo!

Falando em outros países, algo que já foi adotado fora do Brasil vai chegar por aqui nos próximos dias: a cobrança pelas sacolas plásticas!

Nos próximos dias, um acordo será assinado pela APAS (Associação Paulista de Supermercados) e o Governo do Estado de São Paulo prevendo, inicialmente, uma campanha de 6 meses para a conscientização do consumidor para a importância de usar sacolas retornáveis, caixas ou carrinhos de feira no transporte das compras. Após esse período, ou seja, meados de novembro, as sacolas plásticas tradicionais, que demoram cerca de 100 anos para se decompor, serão substituídas por sacolinhas feitas à base de amido. Essa nova sacola se decompõe no máximo em 180 dias e será vendida pelo preço de custo (R$ 0,20 a unidade).

Essa experiência já foi adotada com sucesso em Jundiaí, cidade de xxx mil habitantes, próxima a Campinas. Hoje apenas 5% dos consumidores acabam por adquirir as sacolinhas biodegradáveis. A maioria esmagadora já se acostumou a nova realidade e, como em outros países, abandonou o uso das sacolas descartáveis.

Quem sabe se com mais ações como essa e um pouquinho mais de consciência, os números do Panorama de Resíduos Sólidos em 2012 não poderão apresentar surpresas mais agradáveis que os deste ano?

* Reinaldo Canto é jornalista, consultor e palestrante. Foi diretor de comunicação do Greenpeace e coordenador de Comunicação do Instituto Akatu. É colunista da revista Carta Capital e colaborador da Envolverde.

** Artigo publicado originalmente na coluna do autor, Cidadania & Sustentabilidade, no site da revista Carta Capital.

Alteração no Código Florestal causará impactos nas cidades

Para o defensor público Wagner Giron, população das áreas urbanas deveria ter mais participação no debate.

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Previsto para ser votado – na Câmara dos Deputados –, o Projeto que altera o Código Florestal brasileiro (PL 1.876/99) pode extinguir uma área de aproximadamente 200 mil Km² de mata nativa. Como comparativo, é como se uma área protegida do tamanho do estado de São Paulo fosse liberada para o desmatamento.

Entre os pontos críticos no texto de alteração, que foi proposto pelo deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), estão a redução das áreas de Reserva Legal nas propriedades particulares, o perdão das multas aplicadas em proprietários que desmataram até julho de 2008 e a flexibilização da produção agropecuária em Áreas de Proteção Permanente (APPs), com a redução de 30 para 15 metros das áreas de preservação nas margens de rios.  Além disso, o texto deixa de considerar topos de morros como áreas de preservação permanente e também prevê a ampliação da autonomia dos estados para legislar sobre meio ambiente.

Em entrevista à Radioagência NP, o defensor público Wagner Giron explica que a população das áreas urbanas deveria ter mais participação nesse debate. Para ele, há uma falsa ilusão de que tais mudanças são de interesse exclusivo das populações de áreas rurais, pois afetarão todo o conjunto da sociedade, principalmente nas questões da falta de água e aumento das enchentes provocadas pelas chuvas. Ele cita o exemplo da cidade de São Paulo, onde foram construídas as marginais Tietê e Pinheiros em áreas de recuo obrigatório, nas quais não deveria ter atividade humana nenhuma.

Radioagência NP – Wagner, as alterações no Código devem ser encaradas com preocupação somente pela população de áreas rurais?

Wagner Giron - De forma alguma. As normas ambientais que visam a colocar uma regulação mínima da atividade humana sobre o meio ambiente têm abrangência para toda a coletividade, seja rural ou urbana. Podemos ver os efeitos nas grandes catástrofes naturais, enchentes e alagamentos sucessíveis que são causados por qualquer chuvinha nos médios e grandes centros urbanos, que já são impermeabilizáveis por conta do crescimento feito sem projeção. Isso é fruto dos desrespeitos às normas ambientais contidas no Código Florestal, que nunca foram cumpridas no Brasil, e mesmo assim, já querem alterá-lo.

Um dos argumentos do relator do Projeto é que as alterações não irão valer para os perímetros urbanos. Isso livra as cidades dos efeitos da aprovação?

O Código Florestal cria algumas áreas importantes na proteção ambiental, que são as Áreas de Preservação Permanente (APPs). Um exemplo de APPs são as faixas mínimas de recuo nas beiras dos rios. Quando um curso d'água ou rio tem a largura de meio metro até dez metros, a faixa de APPs em ambas as margens deve ser de 30 metros. Isso seria a área de vazão das chuvas, área de escoamento e drenagem do rio. Por exemplo, na cidade de São Paulo, onde há um equívoco ambiental violento e notório, foram construídas nessas áreas obrigatórias de recuo, onde não devia ter atividade humana nenhuma, as marginais Tiete e Pinheiros. Isso colabora com o estrangulamento dos canais de vazão das águas pluviais, fato que causa o caos ambiental que vivenciamos em São Paulo quando chove. Isso é um desrespeito de disposições do Código Florestal que tem aplicação não somente na área rural, mas também nas atividades urbanas.

Concretamente, quais serão os principais efeitos sentidos pela população em geral?

A partir do momento que a alteração do Código Florestal, promovida pelos interesses da bancada ruralista no Congresso – infelizmente capitaneada pelo deputado Aldo Rebelo – procura diminuir a proteção normativa ao meio ambiente, aumentando a fronteira do agronegócio e áreas desmatamento, o que acontece? Vai haver maior número de queimadas, emissões gigantescas de CO² e outros gases que causam o efeito estufa, perda da qualidade do ar, desflorestamento com aumento de doenças que já foram erradicadas das áreas urbanas. Podemos citar as doenças Malária e Chagas que estão tomando conta dos espaços urbanos do Brasil. Isso acontece porque os pernilongos e insetos que são vetores dessas doenças, não tendo floresta, vêm para a área urbana. Toda flexibilização das normas ambientais gera catástrofes climáticas globais que afetam, principalmente, as concentrações urbanas.

O relator do Projeto afirma que as mudanças não afetariam em nada a vida na área urbana, e que as críticas ao texto são feitas por pessoas desinformadas. Qual sua avaliação sobre a afirmação?

A partir do momento em que se aumenta a fronteira agrícola do agronegócio, em que permite desmatamento nas cabeceiras e nascentes de rios e APPs, vai faltar água para as grandes concentrações urbanas. Isso já acontece no Rio de Janeiro, Bahia e região metropolitana de São Paulo. Nesses locais a briga por água já começa ficar avançada. Isso pode ser visto no projeto de transposição de águas da bacia do já superpoluído e quase exterminado rio Paraíba para alimentar a necessidade da população metropolitana da cidade de São Paulo. Essa afirmação do deputado é totalmente inverídica do ponto de vista ambiental.

* Publicado originalmente na Radioagência NP e retirado do site Brasil de Fato.

Mirem no exemplo dos que obedecem Código Florestal

A experiência do município verde no Pará desmente os argumentos pelo afrouxamento do código local. Em 80 dos 144 municípios do estado, 80 já aderiram.
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Ação da PF e do Ibama em carvoaria ilegal de Paragominas.

O programa, que se inspirou no exemplo do Pacto pelo Desmatamento Zero de Paragominas, exige a assinatura de um protocolo com compromissos claros. Um "compromisso vinculante", como o que desejam para o novo acordo global do clima. Por esse protocolo, se obrigam, para serem fornecedores de carne, a promover o cadastramento ambiental rural das propriedades, ter metas de redução de desmatamento, que serão monitoradas e avaliadas. As exigências vão além do código florestal, porque os proprietários se comprometem a fazer a regularização ambiental de suas propriedades – o que significa cumprir as exigências do código – e muito mais. Em Paragominas, por exemplo, o pacto prevê a moratória inclusive de desmatamento legal.

Não foi um caminho fácil. Começou com custos, oriundos das ações de comando e controle do Governo Federal, lista suja de municípios que mais desmatam, operações da Polícia Federal e do Ibama, corte de crédito, perda de mercado. A ação do Ministério Público, com o programa Carne Legal, levou os produtores a assinarem termos de ajuste de conduta para que os processos fossem interrompidos. Os prefeitos, temendo perdas econômicas com o embargo da produção de seus municípios, gerando desemprego e queda de receita, começaram a negociar seus próprios pactos contra o desmatamento ilegal. Quando o governo do estado lançou o programa "Municípios Verdes" estavam prontos para aderir. Aderindo, podiam usufruir das vantagens da certificação e rastreabilidade, que lhes facilita o acesso aos mercados de primeira linha, que pagam melhor e estabelecem laços de relacionamento mais fiéis com seus supridores.

Adalberto Veríssimo, do iMazon, me disse que 90% das propriedades dos municípios que aderiram ao programa já fizeram o cadastro ambiental rural. Hoje, produtor que alega que é caro demais, tem resposta clara dos produtores que já fizeram: todos podem pagar, é um custo bastante acessível por hectare. Veríssimo diz que a maior parte do desmatamento nesses municípios ocorre agora nos 10% de propriedades que não fizeram o cadastramento.

Os municípios legalizados puxaram a queda do desmatamento no estado, que ainda tem regiões de desmatamento intensivo. Um foco está na região de influência dos guzeiros, por causa do corte ilegal para fazer carvão vegetal. Com relação ao ferro-guza, o governo do Pará está tomando medidas para impedir o desmatamento para produção de carvão vegetal. Está criando custo tributário e proibiu o transporte de carvão. O guzeiro não pode mais dizer que está usando carvão de outras localidades. Todo o carvão que usa é local. Isto facilita a fiscalização.

Na grande região no entorno de São Félix do Xingu e no eixo da Br163, a Cuiabá-Santarém, há ainda muita especulação com as terras e uma dinâmica predatória, ainda do tipo de expansão de fronteira. Os assentamentos do INCRA continuam um sendo um vetor significativo de desmatamento.

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Nos últimos 8 meses, o desmatamento caiu 47% no Pará, segundo os dados por monitoramento de satélite do Imazon. O problema hoje está em outros estados. Em Rondônia e na porção do Amazonas que lhe faz fronteira, sob a influência das hidrelétricas do rio Madeira. No Mato Grosso, onde a dinâmica da agroindústria continua majoritariamente predatória. Em Rondônia, o desmatamento aumentou 142%, nos últimos 8 meses. No Mato Grosso, aumentou 22%. Aumentou também no Acre, 53%, onde o Ministério Público Federal processou 14 frigoríficos por comprarem carne de fazendas que desmataram ilegalmente ou usaram trabalho escravo.

O programa Município Verde ainda tem poucos incentivos positivos, fora a eliminação dos obstáculos ambientais ao acesso aos mercados mais exigentes. Mas o governo estadual está estudando a possibilidade de, junto com o governo federal, criar uma cesta de incentivos fiscais e creditícios. Um deles será o ICMS verde. O outro, prioridade na regularização fundiária. Os municípios serão avaliados sistematicamente e serão classificados em diferente níveis de acordo com o cumprimento das metas de redução de desmatamento e grau de regularização fundiária e ambiental.

O nível 1 corresponde à entrada no programa. O nível 2, à implementação de ações que permitam atingir as metas de redução de desmatamento e degradação, o cadastramento ambiental rural das propriedades, entre outras exigências. O nível 3, requer ganhos de governança local, com criação do conselho municipal de meio ambiente, licenciamento ambiental das propriedades, cumprimento adicional das metas.

Quem não quer cumprir a lei, olha só o curto prazo. Provavelmente já não tem acesso aos mercados de primeira linha nacionais, nem estrangeiros. Quem quer vender para as grandes cadeias, para os mercados da Europa e Estados Unidos, tem que ir além da lei. Não interessa a esses produtores que o Brasil fique marcado como um país que afrouxou a lei que protege a floresta amazônica. É como por um carimbo de "sujo" em seus produtos. A Amazônia, além de ser um inestimável patrimônio nacional, que pode gerar muito mais riqueza com a floresta em pé, é um ícone hoje no mundo. Protegido e valorizado, esse ícone, essa marca, ajuda a vender. Destruído, fecha mercados.

* Para ouvir o comentário do autor na rádio CBN clique aqui.

** Publicado originalmente no site Ecopolítica.